16 Jul O “RÉS-DO-CHÃO” DE GUI ATHAYDE NUM POSTER

Livro que convida à reflexão sobre o lugar de cada um no Mundo foi inspiração para a participação do ilustrador brasileiro na Open Call.

“Para onde é que temos de ir para nos encontrarmos?” Gui Athayde tinha acabado de se mudar da Alemanha para Lisboa quando se juntou nesta reflexão à jornalista da BBC Camila Costa, por seu turno, recém-chegada a Londres. O exercício culminou num livro: “Rés-do-Chão” foi lançado em junho pela editora brasileira Bebel Books. “É sobre como é que uma pessoa se sente quando muda de lugar e indo para o outro, e os conflitos que surgem com as memórias, com a distância”, explica o designer e ilustrador nascido no Brasil. A obra foi selecionada pela Stack Magazine na lista “10 comics you need in your life”.

Quando se instalou na Fábrica Moderna, no início deste ano, o artista ouviu falar do Poster e decidiu participar na Open Call com uma ilustração deste trabalho: “Sempre gostei muito de fazer posters e costumo ilustrar sobre coisas que ocupam o meu pensamento em determinado momento. Este livro tinha a ver com o momento que eu estava a atravessar quando participei.” Embora, para Gui Athayde, seja importante que cada qual faça a sua própria leitura do poster, para si “ele representa a cidade no corpo da pessoa. Pensei que todos se iriam relacionar de alguma maneira com aquilo.” Apesar de estar há poucos meses na capital, nota que “Lisboa está muito em voga” e considera que iniciativas com o Poster são bem-vindas, no que sentido em que acha “muito positivo que se descentralize o que acontece na cidade.”

A cena criativa que sabia que encontraria em Lisboa, a língua e o clima influenciaram a sua vinda para Portugal. Além disso, diz que “aqui tudo acontece de forma mais orgânica”. A par do trabalho em Design Gráfico e ilustração, cuja paixão despontou quando foi convidado para conceber a programação da orquestra filarmónica de Belo Horizonte, tem reforçado a aposta no Motion Design. Já desenvolveu projetos para a Taschen, a Google e a teNeues, entre outros nomes de peso. Da colaboração com esta última, resultou “Mamma Mia – Das Buch über Mütter und Töchter”, em que ilustra a escrita bem-humorada de Karin Dietl-Wichmann acerca dos problemas das relações entre mães e filhas. O tom vai plenamente ao encontro do estilo do ilustrador: “Gosto de trabalhar o contraste entre um assunto que pode ser muito sério e um estilo mais inocente, naïf e alegre.” Quanto ao futuro, o vencedor da Open Call admite explorar e incorporar outras formas de arte no seu trabalho, mas para já prefere mergulhar mais fundo na ilustração e na animação: “É uma onda que ainda estou a surfar”, conclui.

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